segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Muito rapidinha, a tomar balanço.

OLHARES - - - - - - - -
PARAÍSO


Teu corpo, agora tão perto,
é brisa que me consente
na aridez do meu deserto
a graça duma nascente

Logo a nascente permite
o florescer dum pomar...
(Eu amei-te - mas perdi-te
por começar a pensar...

Às simples evocações
dum possível paraíso,
logo em nossos corações
se delineia um sorriso...)

E teu corpo, inda mais perto,
é brisa que me desmente...
(Sob o sol do meu deserto,
alonga-se uma serpente.)


- - - - - - - - - - David Mourão-Ferreira

3 comentários:

xistosa disse...

E POR VEZES

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos


É dos poemas que mais gosto, do Camões do séc. XX !
Ele que foi grande, nunca teve a arrogância de António Lobo Antunes, que para o calarem lhe atribuiram o Prémio Camões.
Queria o Nobel do José Saramago, mas com todas as politiquices que estes prémios acarretam, ficou "lixado".
Quando se tem valor e ele tem-no, deve-se ter um pouco de contenção.

Um bom regresso à vida dos vivos!!!

marta disse...

Oh Meu Lindo

que bom, pelo menos já deu para matar saudades.

São sempre tão sensuais estes poemas de David Mourão-Ferreira-

A fotografia, uma óptima escolha.


beijinho querido Agridoce

Anónimo disse...

Querido Agridoce,
Los poetas tienen que ser provocadores y revolucionarios – sino quien lo va a ser.
También tienen el poder de las palabras para poner por escrito los pensamientos y las emociones del ser humano. Bella foto o bella mujer o las dos cosas a la vez.
Muy bonito poema.
Maïca