domingo, 28 de outubro de 2007

"Tratado Europeu" de Lisboa

Mapa da UE - copiado daqui. - - - - - - - - - -
Como e enquanto português, sou europeísta convicto, do corpo à alma e vice-versa.

Num mundo cada vez mais globalizado, os países europeus que vão formando este espaço em que vivemos em relativa cidadania comum, e especialmente os países mais pequenos (não me refiro à dimensão geográfica, ou somente a ela), sobreviverão melhor se se unirem num bloco que possa fazer ouvir as suas culturas e tradições e línguas, mas também, e acima de tudo, os seus interesses económicos próprios e diversos, desde que enquadrados em políticas de partilha dos "lucros e perdas".

Ora, como europeísta, defendo que a Europa não se pode "constituir", ou "ir-se constituindo", com golpes de política saloia.

Os partidos políticos têm de encontrar nos seus discursos próprios, a fronteira que destrinça a luta essencialmente de nível nacional, daquela que é as suas posições no processo europeu. E assumi-las com todas as suas consequências. Fim ao discurso populista e fácil num momento, para num outro momento mudar de agulha, só porque se alterou a sua posição relativa.

Um Tratado não é matéria que se adeque a referendos ?!

Mas todos deveriam ter pensado nisso quando andaram a propagandear que queriam este "passo para a Europa" submetido a consulta popular, por referendo. Independentemente do nome de baptismo que realmente tem, ou da cor das roupas em que vão meter o tratado.

Desunhem-se, Partidos Políticos, de forma honesta e com pouco "folclore", para poderem passar os pontos de vista que defendem como os melhores para o "nosso torrão" à beira-mar plantado! Em linguagem da mais simples possível, mas completa, que é a mais difícil de ter. Utilizem os "media", e comecem quanto mais cedo melhor, para que todos possam perceber do que se fala e o que se muda. Levem a que todos digam o que pensam, com tempo e sem "altas temperaturas" baixas. Que reflexos, na perspectiva de cada um, terá este processo de construção que vai ter mais um passo a dar.

Reflexos a curto, a médio e a longo prazo. E o que poderia acontecer se não fosse dado.

Como e enquanto português, sou um europeísta convicto.

Por isso eu quero ver o povo referendar este "Tratado Europeu de Lisboa", para que esta Europa tenha corpo e alma, em vez de caminhar para uma organização fantasmagórica e distante.

9 comentários:

marta disse...

tenho uma grande ambiguidade em relação a este referendo.

Quando foi este últino referendo para a liberalização do aborto, e depois de ter visto os resultados, que depois de campanhas intensas, os votantes não chegaram aos 50%, declarei que haveria de ser contra qualquer referendo pelos mais próximos.

Por um lado penso como tu.

por outro, penso que com campanhas intensas nunca haverá mais de 40% de votantes.
Ora agora pensa que o referendo é negativo, que a maioria dos 40% que não é vinculativa diz não.
O que julgas que se irá passar?
O tratado será ratificado, e como será depois?

alfacinha disse...

Um referende é uma ideia excelente se tivesse interesse por parte dos eleitores europeus, mas infelizmente não Há, por isso acho que o parlamento europeu tem de decidir sobre o Tratado. Afinal são eles as únicas representantes eleitas dos povos europeus que têm o conhecimento necessário para julgar o tratado.
Cumprimentos de Antuérpia

MRP disse...

completamente de acordo, agridoce. O referendo ao tratado é uma oportunidade unica para se discutir a Europa. E claro que o risco da abstencao existe, marta, mas esse ónus deve ser carregado pelos que se abstem e nao pelos que querem ver o tema debatido. As declaracoes do Jorge Sampaio ao sol resumem mais ou menos a minha posicao no assunto.

AGRIDOCE disse...

MARTA,
Como te compreendo quanto à ambiguidade.
Mas porque raio foram os parlamentares decidir fazer uma revisão constitucional, incutindo expectativas de uma consulta popular, através de referendo, aos tratados?!
Seria bom que fossem todos, todos, obrigados a cumprir, a ver se, de uma vez por todas, começam a fazer política séria, na perspectiva da vida do país, a longo prazo, e não sobre o momento de dançar o folk.

Abstenção? Quem pode garantir que não haverá votos suficientes para referendo vinulativo?

Obrigado pela tua visita. Também tenho ido ao teu burgo. Mas não ando com muita "energia2 para teclar.

Bjs.

AGRIDOCE disse...

ALFACINHA,
Parlamento Europeu a decidir essas questões? Uhmm! Não me parece.
Cumprimentos.

AGRIDOCE disse...

MRP,
Ouvi falar de algo que o ex-Presidente Jorge tinha deixado, não percebi se é um artigo dele, se foi entrevista, nem onde saiu.
Podes dizer? Gostava de ler.
Agora que o inverno já está um inferno frio, daria para esconder a longa noite que por cá vai aumentando.

Anónimo disse...

Une identité européenne c'est ce que je revendique plus qu'une identité régionale ou nationale.
Quand on a plusieurs cultures, c'est une richesse toutes ces cultures et pouvoir s'identifier à une culture européenne c'est encore mieux.
Malgré tout dans notre Europe, à l'heure de la mobilité, où l'on voyage beaucoup, il subsiste une quantité de gens qui n'ont jamais bougé de leur région ou de leur pays même en Belgique et pour qui l'Europe c'est une autre galaxie.
L'Europe c'est 3 P = Paix + Progrès + Prospérité.
Une Europe en paix, qui bénéficie du progrès et qui permet la prospérité de ses citoyens. Ce sont ces éléments qui permettent une économie forte et de se mesurer aux grandes puissances mondiales. Est-ce que tous les citoyens européens sont conscients de ces enjeux? La question est posée. J'espère que nos politiciens européens placent au premier plan l'intérêt de l'Europe.
Maïca

xistosa disse...

Se explicarem alguns pontos do tratado, talvez seja batido o recorde de abstenção.
Como não o li, não me posso pronunciar, mas parece-me que há pronuncios de mau agoiro.
Um, era uma exigência dos gémeos, mas como um ficou doente com a "sova" que levou nas eleições e o outro talvez seja obrigado a juntar-se ao rebanho, se arranjarem um bom "cão de guarda", daqueles que ferram mesmo.

Talvez o mais "inteligente" tenha sido o constitucionalista, Vital Moreira.
Chamou burros a todos os portugueses, talvez por conhecer a realidade do nosso ensino.
Mas adiante ...

Comissão da Petição disse...

Muit obom dia e Parabéns pela sua análize clara e esclarecedora. Aproveito a oportunidade para o convidar a visitar um blog criado no dia da assinatura do tratado de Lisboa para discutir a temática da gestão do mar no âmbito do Tratado: www.mareotratadodelisboa.blogspot.com.
Todas as opiniões e sugestões serão benvindas.
Com os melhores cumprimentos,
Ricardo Lacerda