sábado, 25 de outubro de 2008

Bacalhau com Broa

Receita de fim de semana.

Um prato de sabores fortes mas muito agradáveis, que pede um tinto forte do Alentejo.

INGREDIENTES

Bacalhau (uma posta da parte que goste mais, demolhada)
Espinafres
Broa de milho
Azeite de boa qualidade
Alho (5 dentes)
Cebola (uma média)
Batatas
Sal q.b.
Esposa

MODO DE PREPARAÇÃO

Meta a esposa na cozinha com os ingredientes e feche a porta.

Espere duas horas e vá degustando o tinto seleccionado, com um queijo da Serra e Pão de Mafra fatiado.

Permita que a esposa tenha o prazer de o servir e de o ver comer.

Bom apetite.

sábado, 18 de outubro de 2008

Crise real

Essa crise na bolsa é pior que divórcio.

Já perdi mais de metade do meu património e a minha mulher ainda está cá em casa!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Uma flor, para ti.


Hoje, mando-te esta flor

(Electrónica, concerteza!)

Para a pores na lapela

Desse teu computador

Ou, mesmo, à tua mesa,

E sentires o calor,

Que me dás, de tão bela!

domingo, 12 de outubro de 2008

Inocência e pena de morte

Anda no ar um aroma a Outono, com a luz de um Verão fugido e o ar fresco do Inverno que espreita.

Ontem, saboreando o nevoeiro que caiu sobre Bruxelas e aqui permaneceu - logo após duas horas de sol ao iniciar o dia, resolvi meter-me em espaços fechados.

Mexendo ora nos DVDs, ora nos CDs de música, ora nas novidades informáticas, ora nos livros, e eis que duma prateleira da FNAC me saiu um de John Grisham que não fazia parte da minha colecção.

Como sabem os milhares de atentos deste blog, sou viciado na leitura de Grisham.

Hoje, com talvez o último dia de “quase Verão” por estas paragens, qual autêntico verão de S. Martinho que, talvez, não se venha a ver, resolvi, após o almoço, dirigir-me ao parque que fica aqui quase dentro do meu apartamento, o Parque do Cinquentenário, sentar-me um pouco ao sol (para que a minha pele não se esqueça do que isso é) e começar a leitura.

Não sei que antes a minha companheira inseparável dos fins de semana - a Sony Alpha - me lembrasse de que seria bom registar o sol desta tarde.

Se bem me lembrou, mais depressa vos deixo alguns instantâneos.

Aqui, uma das aves que embelezam as noites e madrugadas desta cidade, com o seu cantar, tão melodioso.
Penso que é uma pêga. Será?



De um e outro lado do Arco, no Parque, há um mundo de gente a apanhar sol...



... enquanto outros se divertem.


O livro - “The innocent man” (O inocente), cuja leitura ainda está no começo, promete.

O tema é desenvolvido a partir de episódios da vida real de dois amigos condenados à morte, com uns quantos anos passados no corredor da morte.

O título do livro indica o erro que foi a condenação.

Pelas primeiras páginas do livro, o romance promete demonstrar como o princípio da inocência e como a pena de morte, em certos Estados dos E.U.A. defendida como a medida justa para certos crimes, são muitas vezes ilusões e permitem que erros na justiça aconteçam no “país de liberdade(s)” e que levem inocentes a pagar com a vida ou, pelo menos, e com muita sorte, anos de retiro forçado da vida em sociedade.

(Quando da outra vida deste blogue, dediquei um post a este tema, quando se debatia um dos casos semelhantes a este numa Organização Internacional que se dedica a esta causa.)

Nas notas ao livro, o autor descreve como, numa sequência infeliz para alguém, se pode apanhar em turbilhão com agentes de polícia criminal, promotores, advogados de defesa e de acusão e, até, de juízes que se deixam enredar no formalismo de convicções acumuladas em erros que se cometem em catadupa.

O que se passará nos outros países deste mundo em que vivemos, mesmo naqueles onde não há pena de morte?!

Promete.

Vou até ali ao lado continuar a leitura.

Inté.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A minha primeira homenagem de hoje ...

... vai para uma das vozes que, na minha opinião, melhor representaram os doces sons franceses daqueles tempos, em que a música não punha à prova a resistência dos nossos ouvidos que começavam a despertar para os sentidos - Jacques Brel.
Não um ano, não dois, não dez, nem vinte, mas já há trinta anos que só o ouvimos pela memória que nos deixou.





LA VALSE À MILLE TEMPS
paroles et musique: Jacques Brel

Au premier temps de la valse
Toute seule tu souris déjà
Au premier temps de la valse
Je suis seul mais je t'aperçois
Et Paris qui bat la mesure
Paris qui mesure notre émoi
Et Paris qui bat la mesure
Me murmure, murmure tout bas:

REFRAIN:
Une valse à trois temps
Qui s'offre encore le temps
Qui s'offre encore le temps
De s'offrir des détours
Du côté de l'amour
Comme c'est charmant
Une valse à quatre temps
C'est beaucoup moins dansant
C'est beaucoup moins dansant
Mais tout aussi charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à quatre temps
Une valse à vingt ans
C'est beaucoup plus troublant
C'est beaucoup plus troublant
Mais beaucoup plus charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à vingt ans
Une valse à cent temps
Une valse à cent temps
Une valse ça s'entend
À chaque carrefour
Dans Paris que l'amour
Rafraîchit au printemps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse a mis le temps
De patienter vingt ans
Pour que tu aies vingt ans
Et pour que j'aie vingt ans
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Offre seule aux amants
Trois cent trente-trois fois le temps
De bâtir un roman

Au deuxième temps de la valse
On est deux tu es dans mes bras
Au deuxième temps de la valse
Nous comptons tous les deux «une, deux, trois»
Et Paris qui bat la mesure
Paris qui mesure notre émoi
Et Paris qui bat la mesure
Nous fredonne, fredonne déjà:

REFRAIN

Au troisième temps de la valse
Nous valsons enfin tous les trois
Au troisième temps de la valse
Il y a toi, y a l'amour et y a moi
Et Paris qui bat la mesure
Paris qui mesure notre émoi
Et Paris qui bat la mesure
Laisse enfin éclater sa joie:

REFRAIN

A outra homenagem...

... como não podia deixar de ser, hoje, vai para o CHE.

Lembro-me, vagamente, dos primeiros tempos que ele começou a nascer como mito.

Depois, do dia em começaram a correr boatos sobre a sua morte, primeiro fruto de inabilidade em campo de guerra e, por isso, acuado até à morte como se fosse um reles soldado fugitivo; depois como tendo sido "apunhalado" por balas do seu maior amigo político da Ilha de Cuba, e, mais tarde, as diversas provas de que outras ordens, de outros azimutes, sob a defesa de interesses geo-estratégicos, encomendaram esforços militares incomensuravelmente superiores à possibilidade de defesa ou fuga, até à vergonha, ou aos receios, de dar a conhecer o seu cadáver, daqueles que tinham sido incumbidos de o caçar até à morte.

Mesmo sem ter grandes inclinações para a política que defendia e pretendia alargar para diversas partes do mundo, não posso deixar de me vergar pela memória do guerrilheiro revolucionário desprendido, convicto de que lutava por ideias nobres e alcansáveis e praticáveis, que marcou gerações.

Pelo nosso mundo, durante muito tempo se ouvirá dizer:




Comandante Che Guevara

Aprendimos a quererte
desde la histórica altura
donde el sol de tu bravura
le puso cerco a la muerte

Aquí se queda la clara
la entrañable transparencia
de tu querida presencia
comandante CHE GUEVARA

Tu mano gloriosa y fuerte
sobre la historia dispara
cuando todo Santa Clara
se despierta para verte

Aquí se queda la clara
la entrañable transparencia
de tu querida presencia
comandante CHE GUEVARA

Vienes quemando la brisa
con soles de primavera
para plantar la bandera
con la luz de tu sonrisa

Aquí se queda la clara
la entrañable transparencia
de tu querida presencia
comandante CHE GUEVARA

Tu amor revolucionario
Te conduce a nueva empresa
Donde espera la firmeza
De tu brazo libertario

Aquí se queda la clara
la entrañable transparencia
de tu querida presencia
comandante CHE GUEVARA

Seguiremos adelante
Como junto a tí seguimos,
Y con Fidel te decimos:
Hasta siempre COMANDANTE.

domingo, 28 de setembro de 2008

A caminho

"Sob o peso de uma vida inteira" - -
Óleo sobre tela - - - - - - - -
Agá-Éfe-Cê - - -- - - - -

Canção de primavera

Eu, dar flor, já não dou. Mas vós, ó flores,
Pois que Maio chegou,
Revesti-o de clâmides de cores!
Que eu, dar, flor, já não dou.

Eu, cantar, já não canto. Mas vós, aves,
Acordai desse azul, calado há tanto,
As infinitas naves!
Que eu, cantar, já não canto.

Eu, invernos e outonos recalcados
Regelaram meu ser neste arrepio...
Aquece tu, ó sol, jardins e prados!
Que eu, é de mim o frio.

Eu, Maio, já não tenho. Mas tu, Maio,
Vem com tua paixão,
Prostrar a terra em cálido desmaio!
Que eu, ter Maio, já não.

Que eu, dar flor, já não dou; cantar, não canto;
Ter sol, não tenho; e amar...
Mas, se não amo,
Como é que, Maio em flor, te chamo tanto,
E não por mim assim te chamo?


- - - - - - - - - - - - José Régio

sábado, 27 de setembro de 2008

Dois - zero


Foi visto a sair, do Estádio da Luz, este bichano, vermelho de raiva, a dar dois saltinhos em vez de passadas.

Durante uma semana, por favor, não se aproximem do bicho.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Tostões virtuais

(Recebido por e-mail sem autor)

Diz-se que o colapso da "economia financeira" americana vai levar a uma crise global e total da "economia real".


Mas... ainda existe economia real?


É que eu já só vejo cifrões virtuais para onde quer que deite o meu olhar às economias!
- - - -

domingo, 21 de setembro de 2008

É tempo de reiniciar!

"Aurora marciana" - - - - - - - - - - - -
Acrílico sobre tela, 30 x 24 - - - - - - - - - - -
Agá-Éfe-Cê - - - - - - - -- - - - -
Temos a Primavera, temos o Verão e temos os dias meios ensolarados, com o ar do Norte a invadir as nossas almas, logo hoje que é "dia verde europeu", o dia em que a hipocrisia dos automobilistas que poluem as estradas do dia a dia se resolvem a dar um ar de ciclistas... e a chuva virá para retirar-nos dos espaços abertos.

E temos uma "montanha de visitas" a cansarem-se de ver Hasselt a correr sempre em primeira aparição.

É tempo de regressar ao interior e recomeçar a ocupar os fins de semana com o que as teclas nos permitirem.

É tempo de reiniciar, sem pressas nem pressões.

domingo, 24 de agosto de 2008

Escapadinha a Hasselt - BE

Toda a manhã de domingo e parte da tarde circulando por HASSELT, pequena cidade na Bélgica, ainda por cima com habitual déficit de sol.

Parecia uma cidade fantasma, embora sendo uma povoação agradável à vista.

Quase não se via vivalma, tirando uma meia dúzia de turistas (de dentro e de fora) encostados às mesas de esplanadas.

À volta do centro da cidade, bairros habitacionais de vivendas, quase nenhuma com muros a marcar o terreno e a isolar o espaço exterior (o que também não é excepcional nas cidades desta Bélgica).

Duas igrejas com conjuntos de vitrais dos mais bonitos que por cá vi.

Até daqui a uns dias.


quinta-feira, 14 de agosto de 2008

No comments.

Dilbert.com

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Férias e verão que... vale a pena ver.

É tempo de Férias e de Verão e de Descanso e de Alegrias.

Vão-se divertindo pelos Açores. Não esqueçam de aumentar o som, porque a montagem das imagens e som está espectacular.



Inté... lá para o próximo post.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Olhares sobre Oostende - BE

Especial para o Paulo e Joana. Eurico, se apareceres por aqui, também é para ti.

Alguns olhares sobre Oostende (NL) ou Ostende (FR e DE) ou, ainda, Ostend (EN). (Oost = "Est". End = "end". NL/EN).

Cidade de praias banhadas pelas águas do Mar do Norte.




Os meus comentários estão nas fotos. No more comments.

Inté.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Amor é tudo o que tenho para te dar

S Ú P L I C A


Amor! Amor é tudo o que te peço.
Amor! Tenho ainda muito amor para te dar.
Olho para ti, ao longe, e me enterneço,
Só de sentir teus olhos ao me afagar.

Amor! Como o tempo se nos esvai,
Por entre abraços e cansaços não realizados,
Beijos, amor e tudo o mais que sem um ai,
Por tanta distância são tão-só imaginados.

Nessa tua alma, a minha, que bem conheço,
Abraço-te, afago-te e penetro
Um olhar tão fundo, tão profundo.

Porque não sais, nem estás neste meu mundo,
Porque me deixas viver tão inquieto?
Amor! Amor é tudo quanto te peço.

sábado, 5 de julho de 2008

Crónica sem nexo, nem ... ( I )


Ao sabor da pena.

Dois a três dias em que a chuva deu poucos intervalos ao sol, nem tantos à trovoada, previa-se um fim de semana latino, mesmo africano.

Da temperatura, não me posso queixar.

Do sábado, é melhor esquecer a previsão, esperando que o domingo venha, e chegue mais à Verão.

Entre andar de carro à chuva e a gastar combustível que no depósito se mete em formato de pepitas de ouro, não tarda, terá que ser em pedras brilhantes, ou entrar entre paredes dum qualquer centro comercial, resolvi vir até estas paredes.

E dei por mim a pensar em:


I - JUROS

EU JURO que fico estupefacto, quando leio notícias de que os portugueses não vão sentir a subida da taxa de juros de referência para a zona euro, que o BCE resolve subir, de vez em quando, porque os bancos portugueses já anteciparam e incorporaram essa subida.

Mas que raio!

Eu, que pensava que aquilo é uma taxa de referência do Banco Central Europeu, com todo o seu poder, dou por mim a concluir que devem ser os bancos portugueses que lhe dão a referência e ele apenas os segue, não sei após quanto tempo, nem por quanto tempo.

Há quanto e para quanto tempo será, que os nossos bancos já têm as taxas adaptadas?

Algum bancário me sabe dizer? :))


II - PORTUGUÊS

Soube-se que, por parte do Estado Português, existe um Projecto de promoção da língua portuguesa no exterior.

Aposta-se no ensino e na defesa do português como língua internacional de trabalho.

URRRRAAAA!!!!

Por coincidência, esta semana, durante a reunião de um Comité, algumas línguas não tiveram tradução (não foi situação excepcional).

Eis senão quando, tendo sido dada a palavra ao delegado da Bulgária, novo Estado Membro, quando toda a gente esperava ouvir o francês ou inglês, admirem-se, ele resolve falar em português (com alguns "tragos" de brazuka).

Do princípio ao fim. Todas as intervenções que teve.

Ia-me caindo... o queixo.

Olhei à volta, e reparo que a admiração era generalizada.

Claro que assim que a reunião acabou me dirigi a ele a dar-lhe os parabéns e a agradecer ter eleito a minha língua nacional como a sua língua de trabalho (eu, naquelas reuniões, não a posso utilizar!!), quando alguns Tugas, mesmo tendo garantido o serviço de dupla tradução, resolvem dar um ar da sua ignorância e pequenez e falam em inglês ou francês. Enfim...

E maior foi a minha admiração quando reparei que havia uma série de malta à espera que eu acabasse, para também lhe dar os parabéns.

Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, o sucesso do projecto está garantido, garanto-lhe :)))).

UUURRRRRRAAAA!!

Somos só 200 milhões de falantes no mundo!

Porque não "forçar a barra" e mostrar a todo o mundo como é linda esta língua que é a nossa pátria.

URRAAAA!




Crónica sem nexo, nem ... ( II )


Ao sabor da pena.


III – Nos Caminhos de África. Serventia e Posse. Angola Século XIX.

Depois, virei-me para o outro lado, e peguei no livro que já ando a ler - nos intervalos - desde há uns tempos, e que um amigo de infância me fez chegar às mãos.

Livro que me tem dado algum prazer na leitura, mesmo sendo um bocado monótona.

A autora (Maria Emília Madeira Santos, publicação do Instituto de Investigação Científica Tropical, Lisboa - 1998) tem-me dado a conhecer como se desenrolou o processo de descoberta do território e se desenvolveram os laços de comércio, do litoral ao mais interior do sertão, quais as "mercadorias" de então e como a sua comercialização já era um hábito nas gentes do interior antes dos europeus lá chegarem, em como para além dos povos da actual Angola, outros povos, africanos e europeus, também por lá se dedicavam ao comércio dos mesmos produtos, das dificuldades e desaires que foram acontecendo por aqueles cantinhos de Angola, ..., como se foi moldando e construindo aquele país de hoje.

Vou, à medida que avanço (ainda só vou em cerca de um quarto do livro, talvez um pouco menos - é grandinho), dando conta da minha ignorância e de como aquela pequena parte da história de Angola que fui obrigado a estudar (estou aqui a exagerar um pouco, porque já li e leio muito mais coisas da história de Angola), embora tendo relatado factos verdadeiros, estava tão longe de abarcar a realidade.

Como gostava de ter tempo disponível para ler muito mais e muito mais rápido!
Vou passar os olhos por mais umas quantas páginas.
Deixo-vos com um pequeno aperitivo do livro.
Se há uma coisa que também gosto, é de ver fotos antigas. Espero que gostem, também. (Para aumentarem as fotos e lerem as legendas, cliquem sobre as mesmas).






Inté.





quarta-feira, 2 de julho de 2008

Revisão da CRP, precisa-se.


Temos à porta a "silly season".

Esta, que antecede os períodos eleitorais em catadupa que se aproximam, a bem dizer, ainda não começou, mas parece termos já os motores políticos a lançarem-se em aquecimento das gargantas, próprio dos momentos da "rentrée".

Lá vem o bombardeamento, de tudo quanto é lado, menos um, da crítica de que tudo o que foi e não foi feito pelo governo, e as promessas sem fim, de todos, que para boa tradição partidária é para esquecer e começar a desdizer logo no primeiro discurso após saberem que foram os mais votados, dos que vão prometer o céu sem tecto e sem fim e fazê-lo desabar antes de o começarem a erguer.

Começa a ser fastidioso todo este filme repetido periodicamente até à exaustão.

Tirem-nos este aquecimento global de políticas ditas e não cumpridas, que acontecem com tanta assiduidade.

Como, por um lado, continuo a defender a democracia, o “menos pior” sistema de todos os que se conhecem, e por outro lado, não me parece que o país tenha dimensão geográfica e humana para passar ao presidencialismo, deveria ser tempo de encontrar uma forma de dar mais estabilidade e maior profundidade às opções políticas dos partidos que se propõem ser governo neste nosso jardim à beira-mar plantado. Não pensarem tanto no imediato.

É tempo de, mantendo os mandatos presidenciais tal como estão, alterar os regimes do Governo e da Assembleia da República.

Quanto ao Governo, o Primeiro-Ministro deveria sair, como agora, da nomeação pelo PR, tendo em conta os resultados eleitorais e ouvidos os partidos representados na AR, mas com um mandato único, de até 9 anos.

Tempo suficiente para não andar a trabalhar para as eleições que se aproximam, mas para o país.

Quanto à AR, deveria haver eleições gerais a cada 9 anos e eleições intercalares para renovação de 1/3 dos deputados aos 3º e 6º anos.

Se houver governação que não agrade ao povo, o governo começa a sofrer da erosão do partido que o suporta e o 1º Ministro corre o risco de ter que se demitir e/ou ser corrido definitivamente.

E esta renovação parlamentar também pode permitir a melhoria da qualidade dos representantes do povo.

Reveja-se a Constituição da República Portuguesa! JÁ.

Perguntas a inocentes:

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À Maddie, a todas as Maddies do mundo,
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- afinal, existem criminosos perfeitos?
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- e conseguirão continuar a dormir e viver descansados?
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sábado, 28 de junho de 2008

Escapadinha a Lovaina (Leuven - Louvain).

Saindo de Bruxelas em direcção à Alemanha, ponteiro apontado à cidade de Colónia, dentro da província do Brabant-Flamengo (existe o Valão, com capital em Liége), a cerca de 20 quilómetros, encontramos a capital, desde 1995, desta província: Lovaina.

Todos nos lembramos, duma forma mais ou menos difusa, de lermos e ouvirmos falar sobre esta cidade flamenga e de um dos motivos que a ajudou a gravar na história, a sua Universidade, nem sempre propriedade da Igreja católica, como actualmente acontece.

Foram encontradas ruínas que datam a sua existência já no século IX, embora só pelo século XI comece a ficar registada como entreposto comercial em progresso.

O edifício da Biblioteca da KUL-Universidade Católica de Leuven (iniciais do flamengo, que não se pode confundir com UCL, da Universidade Católica de Louvain-la-Neuve, francófona, que foi instituída após os movimentos reivindicativos do uso exclusivo do holandês em Leuven, em 1968), fica na memória visual. Na fachada esquerda, a meio, encontra-se, no topo, um emblema com as armas de Portugal.

Ao contrário do que se possa pensar, o edifício da biblioteca é relativamente recente. Tendo sido objecto de diversas destruições e outras tantas reconstruções, a última das quais após a II GG, mantendo a traça que lhe deu, após a I GG (em 1921/8), o arquitecto americano Whitney Warren, em estilo neo-renascentista dos países baixos.

A KUL tem um efectivo estudantil de cerca de 21.000 jovens, o que faz desta cidade, quando em tempos de aulas, uma cidade com uma população ainda mais jovem, que enche parques, jardins e esplanadas.

Perto da Grand Place encontra-se a única fábrica familiar de cerveja de Leuven, a Domus (com 3 cervejas: Nostra Domus, Con Domus e, para o inverno, a Nen Engel).

A outra fábrica de cerveja de Leuven, que já teve natureza familiar, quando ainda era a Den Horen, é a famosa Stella-Artois que, fundada em 1717 por Sébastien ARTOIS, lançou no Natal de 1926 a cerveja STELLA ( = estrela), hoje uma unidade fabril de grande dimensão.

Desta vez, iniciei a minha visita pela Grande Beguinage, onde fica o restaurante da Faculty Club. Simplesmente excelente.

Fundada no Século XIII, por viúvas e solteiras religiosas que viviam comunitariamente, auto-suficientes, recolhidas em vida, mais ou menos, monástica, sem fazer qualquer voto religioso, recebiam crianças que alimentavam e educavam, recebendo, também, pessoas que necessitavam de cuidados de enfermagem.

Em 1962, a KUL adquiriu as instalações e ali montou, para além de residências de estudantes, o seu Faculty Club (na antiga enfermaria), com salas de congressos, restaurante, centros de convívio, etc. Instalações de cinco estrelas, embora sem alteração das instalações originais, com um restaurante com serviço excepcional.

E fico-me por aqui.

Fotos? Cá estão ou, lá mais para cima, do lado direito, é só seleccionar e clicar.




Inté.

Flash-back...

... como se isso fosse possível na vida real!

Hoje, recebi por e-mail, um daqueles que o grupo de amizades feitas nos tempos em que eramos teenagers fazem rodar por todos, um clip com a canção "O mio signore", de Edoardo Vianello.

De imediato, soltou-se e rodou a alta velocidade uma fita no meu cérebro, sobre os tempos em que ouvia músicas italianas em filmes e de quem a se apresentva mais no celulóide projectado no ecran: Gianni Morandi.

Estavamos nos tempos dos filmes sobre cowboys, das grandes produções e dos filmes musicais românticos.

Anos sessenta do século passado.

Das contradicções de estilos musicais que saltavam das canções para fazer bater o coração e correr lágrims pelas faces das amadas, prontamente paradas e secas pelo lenço do caval(h)eiro que a protegia, para os ritmos dos rock'n rolls, twists, merengues, que enfrentavam os bons modos da educação do status quo.

Foi então que me lembrei de uma canção, procurei e encontrei-a com um pedaço do filme que fez mexer com muitos jovens, rapazes e raparigas, que me apanhou ainda na idade dos titubeantes assaltos cardíacos à distância.

Angola, Cine Beneficente, da Associação Beneficente e Recreativa da Catumbela, 1964.

Como me parecem hoje estranhos os modos, as canções, as representações daquele tempo!

Como não me importava de os voltar a ver... naquele tempo!

Se fosse possível fazer um flash-back real!

Não é. Prá frente é que é o caminho.


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quarta-feira, 25 de junho de 2008

R E F L E X Ã O

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Passamos pelas coisas sem as ver,

gastos, como animais envelhecidos:

se alguém chama por nós não respondemos,

se alguém nos pede amor não estremecemos,

como frutos de sombra sem sabor,

vamos caindo ao chão, apodrecidos.



. . . . . . . . . . . . . . . .Eugénio de Andrade

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sábado, 21 de junho de 2008

Crónica do dia

Conto de ficção


Hoje, resolvi ir dar umas pedaladas com a minha "bike", "vélo", "duas rodinhas", bicicleta.

Coitada, de há muito que se queixava por não sair da arrumação, toda dobrada, esquecida como se já não tivesse utilidade.

O "latinhas", "quatro rodas", apenas viu a luz do dia no espaço de tempo que foi ir às compras e carregar com elas para casa, já a partir dele recolhido na garagem, nem pinga de luz solar. Pra castigo!

Consulta feita aos mentireologistas da net, o dia prometia marcar o início do Verão, embora a experiência às compras não tivesse sido assim tão prometedora.

Pelo sim, pelo não, pedalada na "piquena".

Máquina fotográfica e apoio e tele-objectiva no estojo, foi calcorrear por esta Bruxelas quase plana (experimentem a andar de bicicleta por cá, que logo vêem que não é bem assim) rumo aos lados do Parque de Woluwe, à procura de algum motivo que me tivesse escapado na composição do album fotográfico digital, para um dia recordar.

Quem conhece Bruxelas sabe que aqui não existem (isto é um bocado exagero, claro, existem dois) cruzamentos com angulos de 90º, nem estradas paralelas.

Os cruzamentos, entroncamentos e rotundas desembocam em ruas que seguem na oblíqua, angulos agudos ou obtusos, consoante a posição que os enfrentamos.

São de um desvio quase imperceptível mas, ao fim de uns quilómetros, quando pensamos que estamos a seguir uma direcção, ela já lá não está.

Vai daí, três horas e tal depois, foto para aqui, pedalada para acolá, observação para o outro lado, dou por mim perdido, no meio de Bruxelas, algures num sítio que me indiciava já estar fora do perímetro da cidade.

Sem um ponto de referência, então, estava completamente perdido.

O S. Pedro, que até aí apenas me tinha dado a entender que me seguia, por me encobrir a luz solar de vez em quando, topou-me totalmente perdido e... zumba, vai de botar toda a cerveja que tinha bebido antes e depois do jogo Portugal-Alemanha que estava retida nos fundilhos, de tão atravessado resultado ter sido.

Em segundos, já parecia um pinto.

Mas Deus - que não gosta de maldades - atirou-me uma Deusa aos pés, qual Sereia encantada e a encantar, verdadeiro kafeko na casa dos vintes, perfeita nos contornos, olhos europeus azuis de norte, pele tostada de sangue latino, cabelos a atirar para o loiro, que veio à porta da vivenda onde eu me abrigava um pouco.

Dirigiu-me uma saudação de "boa tarde" reluzente e disse-me para entrar e abrigar-me na sala, enquanto estivesse a chover.

E choveu durante quase uma hora!

Ah, e que podia meter a bicicleta lá dentro! (Seria sinal encriptado?)

Achei que, afinal, em Bruxelas havia coisas ... quero dizer, angulos rectos e, com jeitinho, até podia vir a haver estradas paralelas.

"Obrigado S. Pedro, por esta chuva que me deste" - mal me lembro já de agradecer com olhar vidrado e virado aos céus, pensamentos enrolados, tão apressado que estava para entrar e por lá ficar.

Com os óculos embaciados, mal via onde punha os pés.

Ainda bem que não avancei mais do que devia.

Sentado numa poltrona, copo de whisky na mão, estava um jovem cavalheiro de quase dois metros, músculos a fugir da roupa, que, apresentações feitas, vim a saber ser seu marido.

Logo de seguida, aparece "uma coisa" a gatinhar e a fazer "buá-buá-buá", para acabar de matar ainda mais os sonhos já mortos de uma tarde de chuva.

Razão de tamanho acolhimento:

- queriam ver a minha Vélo de perto, saber onde a tinha comprado, quanto custou, se gostava dela (aí, acho que dei uma resposta a pensar noutro assunto), e como era de manutenção (ai, como seria de manutenção, Deus meu!).

Com olhar oblíquo, meio obtuso no falar, de pensamentos agudos, já raso nas intenções, lá fui mantendo a conversa até a chuva desaparecer.

Ai como o S. Pedro me castigou com tanto tempo de chuva!

Valeu o ter-me secado um pouco, aquecido a alma com a paisagem e o whisky e ter caído à terra e sido informado onde me encontrava e por onde seguir para vir ter a casa.


Sonhos desfeitos, já perto de casa, cá estavam os "nuestros hermanos", canecas de cerveja na mão, algazarra à espanhola que se ouvia a 5 léguas, festejando uma vitória antecipada.

Ou talvez não.

Amanhã logo se verá que, até agora, os segundos foram os melhores.

Deixo-vos com a foto da curiosidade que ajudou a elevar-me aos céus.

DSC01803


Inté.

Estamos mal com este início de oposição!!!

Foto tirada daqui - - - - - - - - - -

Acabei de ver/ouvir no telejornal da RTPI uma alta figura do PSD referir que “não será nos corredores da Assembleia da República, mas na rua, com o povo, que o partido vai encontrar as soluções para os problemas do país” (transcrição de memória).

Gostava de ouvir de alguém responsável pelo PSD, partido que elegeu um novo rumo, prometendo acabar com o populismo em que se tinha enredado, que durante a realização do congresso deita esta "posta de pescada" para o público, gostava de ouvir, dizia, a tradução técnico-política do que este senhor quer dizer com aquela afirmação.

Vou-me deitar, para não me cansar muito pela espera.


sexta-feira, 20 de junho de 2008

Fascinação ...

... que rima com "O Casarão", a Pimentinha, Elis Regina, Musa da música brasileira, ...

Para re-escutar, se me quiserem acompanhar.

Portugal no Euro 2008

Alemanha – 3 ...... Portugal – 2

Dói.

Por um golito, teríamos arrastado o nosso sofrimento por mais uns minutos.

Doeu, perdermos pela diferença mínima.

Doeu, chegar hoje ao serviço e ouvir piadas dos colegas de outras nacionalidades.

Termos que justificar a teimosia do treinador e explicar que não, que Ricardo não é o único guarda-redes, para além do Ricardo e do Ricardo, que existe em Portugal.

Que existem outros tão maus como ele, e até se poderiam ter encontrado melhores, sem grande dificuldade.

Doeu, ouvir dizer que Portugal perdeu, não por culpa do árbrito que não apitou aquela falta que antecipou o terceiro golo, mas porque a selecção nacional jogou como se tivesse sido a última classificada na fase de pré-selecção para o Euro.

Que Portugal jogou mal, muito mal, uma m....

Doeu, recordarem-nos com um sorriso irónico que Portugal tinha alcançado o objectivo publicamente assumido por Scolari, que era o de passar a primeira fase (Sim, depois de apertado disse que não era só isso. E terá sido por coincidência, ou não, mas foi com este objectivo alcançado que se descobriram vidas futuras!).

Doeu escutar que, em qualquer outro país europeu, um seleccionador que publicamente tivesse apresentado um objectivo assim teria ido imedatamente para a rua.

Doeu, ouvir dizer que Ronaldo, aquele jogador que até parece já nem ser o mesmo, jogou lesionado.

Não os primeiros minutos, para dar algum conforto psicológico aos colegas e anti aos adversários, ou os últimos, caso tivesse sido necessário, mas todo o jogo, como se não houvesse mais ninguém que conseguisse fazer melhor que um jogador lesionado a precisar de intervenção cirúrgica imediata.

Scolari, li e ouvi dizer que assumes a possibilidade de ainda voltares a treinar a selecção portuguesa.

Desejo-te muitos anos de vida. E volta. Daqui a 50 anos, pelo menos. Não antes.

Acabou-se a anestesia nacional ao estado económico e financeiro e social e político que o país vive.

Viva o futebol.

Viva Portugal.

domingo, 15 de junho de 2008

Escapadinha ao Luxemburgo (cidade)

Domingo, dia 7 de Junho, num pequeno grupo de amigos, fiz uma incursão ao Luxemburgo.

Objectivo: conversa sobre os velhos e novos tempos da terra angolana e do nosso Portugal de hoje, ao sabor de uma "moamba", vinho local, sumos naturais de sape-sape (a que os brasileiros chamam graviola) e de múcua, sumo feito a partir do miolo da fruta de imbondeiro (baobá). UHMMM!! NHAM, NHAM!

Depois, foi dar uma rápida voltinha a "desmoer" o estomago e a prepará-lo para o regresso.

No centro da cidade, os portugueses faziam a antecipação da festa do dia 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades.

A comunidade portuguesa no Luxemburgo, como sabemos, é uma das maioritárias naquele país. E trabalha e mantém o bom nome de Portugal, com muita raça!

Fica uma amostra da pequena ronda que dei.




Inté.

terça-feira, 10 de junho de 2008

10 de Junho - Dia de Portugal

"Welcome to Planet Earth"
Credit: Apollo 17 Crew, NASA
O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Fernando Pessoa

In "Mensagem"

domingo, 27 de abril de 2008

Escapadinha ao Plano Inclinado de Ronquières.

Um pé ainda meio no ar, o outro já pronto a levantar, resolvi ir ver o Plano Inclinado de Ronquières, onde os barcos são subidos ou descidos 68 metros na vertical, ao longo de 1,5 Km, para poderem continuar as suas viagens no Canal de Charleroi.

Dei mais uma voltinha por perto de Ronquières, a Ecaussinnes e a Ittre ou, pelo caminho, a Waterloo.

Deixo-vos com as fotos onde, se clicarem um vez sobre as mesmas, podem ler as minhas legendas.




E tenham uma boa semana.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

1ª Escapadinha a Gent, Ghent ou Gand


Acordar meio tonto com a previsão de mais um dia de chuva, deitei um olhar receoso pela janela e dou com o sol resplandecente a querer atravessar a parede, sem uma única nuvem, olhar feliz pelo riso de olho a olho, rápido pequeno almoço e duche, quase saía meio nú, montado no rodinhas, direito a uma cidade que fica a menos de 60 Kms, não fosse o dito esconder-se outravez nalguma nuvem permanente.

E pouco faltou!

Pela Bélgica há um dado assente quanto à arquitectura urbana: manutenção da traça histórica, apenas ocasionalmente rompida por um ou outro rectângulo a romper o céu.

Isto, que quanto a mim é positivo, tem a desvantagem de parecer transportar-mo-nos sempre à mesma cidade, qualquer que ela seja.

Bom, corrija-se, foi uma fugida muito rápida, sem poder ver muita coisa.
A bandeira portuguesa, está lá.



Também nesta cidade parece que a Igreja católica se deu muito bem há alguns séculos. Em cada cinco edifícios, sete são igrejas ou já foram ou exteriorizam traça e motivos com forte influência religiosa. Imponentes na riqueza do seu interior e na exuberância do seu tamanho. Várias torres e picos de igrejas parecem querer chegar aos céus antes dos que passam pelo seu interior.

E parecem levar o ensinamento religioso à letra. Muitas igrejas, que me pareciam conter bons motivos de visita, estavam fechadas.

Domingo é dia descanso, presumo.

Na igreja de "Sint Baafs" (? Fiquei como vocês, juro!) surpreendeu-me um tríptico (embora não fosse de dobrar-se) em madeira com o escudo português ao meio. À entrada, sinalização de proibição de fotografar e de filmar e, espantem-se, de entrada de turistas (?!). De um e outro lado, duas divisões para cobrar a venda de postais e literatura diversa. Perguntei se poderia tirar fotos só aos vitrais. Uma loira de dentro da “barraca” das vendas e um seu companheiro que parecia vindo de um concurso de bigodes, confirmaram a proibição mas... que tudo dependeria da minha habilidade. Aceitei, mas a medo, que não gosto de pisar o risco. E sempre é mais uma desculpa para a qualidade do que vos trago.
Qual Cardeal D. Henrique, nem todos os presos têm a mesma sorte deste!
Vejam, no seu olhar, o sofrimento por que está a passar!



Hora de aviso do estomago sobre os buracos que por lá estavam, um a pedir comida e outro líquido, encostei-me a um bar. Sandwiche de vegetais com camarões fritos e uma cerveja premium lager BLACK HOLE, fresquinha. O seu nome serviu para cobrir o estraganço dos camarões fritos em manteiga (baghh). Foi uma verdadeira fonte de luz.

Fiquem com ESTE LINK TURÍSTICO e com




Até ao próximo (post, pois claro!).


domingo, 13 de abril de 2008

Um hino à vida!

Foto tirada daqui - - - - - - - - -

Há poucos dias, foi anunciada a descoberta de mais um planeta idêntico ao nosso, bem pertinho de nós.

Qualquer coisa como "cinco mil anos/luz de distância".

Poderemos, pois, dentro de cinco mil anos - se e quando conseguirmos viajar à velocidade da luz (acredito que o faremos mais depressa do que pensamos, ainda que de uma forma bem diferente da que nos vem à ideia.) - fazer a exploração de mais uma bola que, ao que dizem, também aparece como um ponto azul em fundo negro.

Bem mais realidade e muito mais perto, sem fazermos viagens por electro-transporte, quando percorremos os universos que somos cada um de nós, podemos encontrar, às vezes à distância de um "olá", forças humanas acima de qualquer velocidade da luz.

O universo humano sempre me surpreendeu.

Para o pior (às vezes de onde menos se espera, e talvez por isso mesmo), mas também, e felizmente, para o melhor!

Vejam este universo cintilante de força e de vida, exemplo que nos faz pensar e perguntar-mo-nos porque tantas vezes desistimos por tão pouco, quando algo de pequeno e insignificante, se comparado a este exemplo, nos acontece.

Um hino à vida!



[Para quem quiser aceder à página onde fui buscar esta informação, AQUI fica (em francês)].

sábado, 1 de março de 2008

Héin??!! Héin??!!

Notícia importante que tenho estado ver, ler e ouvir com alguma insistência nos “media”:

Há dez semanas que o Príncipe Harry está a cumprir serviço militar no Afeganistão.

É óbvio que ele estava lá para cumprir o tempo todo, como os outros soldados.

O local, como todos sabemos, é um ponto de alta procura turística. Daí ele ter passado despercebido durante tanto tempo.

Só que, um par de jornalistas que resolveram, por acaso, ir até aqueles lados passar umas férias, ao dobrar uma esquina, deram de caras com o Príncipe dentro de um bunker, camuflado vestido, arma em posição, ... , enfim, um verdadeiro e normal soldado.

Lá se acabou o anonimato guardado com tanto segredo durante tanto tempo e... ele já não pode continuar, por ter aumentado o risco com esta publicidade imprevista, ao terem sido fornecidas as coordenadas precisas do bunker onde ele estava.

E eu é que sou o burro, Héin??!! Héin??!!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

AHHH!!! ...

Vou andar por aqui.



... Como gosto do mar, da praia, do sol, do verão!

Mas, para mim, férias para retemperar e carregar baterias, de verdade, verdadinha, é aqui, onde se pode sentir o silêncio que, bem no meio do alto das montanhas, a neve proporciona ao absorver todos os sons, excepto o das lâminas dos meus esquis a deslizar a alta velocidade!

E sentir o fascínio do vento gelado a ser cortado pela velocidade que imprimo!

Ou a adrenalina de vir a esquiar fora de pista, descobrindo cantos que nem todos podem alcançar!

Ou apenas sentado, a ler ou a observar e apreciar a imensidão da natureza!

Ou ao fim do dia, todo partido pelos quilómetros percorridos, chegar a casa e meter-me debaixo de um banho quente!

Ou sair à noite e ir beber um copo ao pub e abanar um pouco o capacete, contactando pessoas desconhecidas que, pelo simples facto de comungarem o prazer deste tipo de férias, conversam como se fossemos conhecidos de infância, sem preconceitos!

Ou o convívio do grupo, à noite, quando o corpo pede sono mas as cartas, o monopólio ou as estórias ou anedotas se prolongam até de madrugada!

Fiquem bem por cá!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Hummm!! Que silêncio!!


O que vale é que depois das tempestades... há sempre lugar à bonança.

E ela está chegando.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

"As amizades ...

Shelf Cloud Over Saskatchewan
Jeff Kerr



... não nascem, nem se alimentam, com insultos.

As tempestades, sim"



Complemento/explicação:
Ao "andar por aí", pela net, cheguei a esta foto.
Com o que tinha visto e lido por aí, assaltou-me o pensamento aqui deixado. Tão só.


sábado, 26 de janeiro de 2008

Overijse – Bélgica

"Lac De Genval"

O tempo, desde os confins dos tempos, foi sempre um bom tema para preencher vazios de conversa com tempo a mais.

Ainda hoje isso me faz alguma confusão ao neurónio que teima em fazer alguma coisa durante o fim de semana. Ele não encontra o tempo. Apenas o vê a passar, mesmo que o tempo seja de sol ou de chuva, ou nem por isso.

Acontece que, por cá, o tempo hoje se revelou a mostrar um ar da sua graça.

Alguns raios solares fizeram lembrar-nos que, por aqui, nem com eles o vento frio se vai.

Só para que não houvesse mentes esquecidas.

Mas que o dia ficou bonito... lá isso ficou! Se não todo, pelo menos uma boa parte dele.

Por isso, “dei corda aos meus sapatos” (que por acaso até eram botas) até ao Lago De Genval, no município de Overijse, bem nos arredores de Bruxelas.

Bonitas paisagens. No lago, nos arredores rurais ou urbanos. Território da Região da Flandres que, segundo parece, foi outrora habitado exclusivamente por flamengos, actualmente em minoria.

Levei a máquina, pois claro. Mas os dedos arrefeciam rápido e ameaçaram a captação das imagens (como se fosse necessária essa ameaça para que as fotos ficassem neste estado!).

Deixo aqui algumas das que ficaram aproveitáveis, segundo o meu critério.



sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Essa ...

L'hôtel du plaisir - - - - - - - - -
OLHARES - - - - - - - - - - -

Essa, que hoje se entrega aos meus braços escrava
olhos tontos do amor de que aos poucos me farto,
ontem... era a mulher ideal que eu procurava
que enchia a minha insónia a rondar o meu quarto...

Essa, que ao meu olhar parado e indiferente
há pouco se despiu - divinamente nua -,
já me ouviu murmurar em êxtase, fremente:
- Sou teu! ... E já me disse, a delirar: - Sou tua !

Essa, que encheu meus sonhos, meus receios vãos,
num tempo em que eram vãos meus sonhos, meus receios,
já transbordou de vida a ânsia das minhas mãos
com a beleza estonteante e morna dos seus seios !

Essa, que se vestiu... que saiu dos meus braços
e se foi... - para vir, quem sabe? uma outra vez.
- segui-a... e eu era a sombra dos seus próprios passos..
- amei-a... e eu era um louco quando a amei talvez...

Hoje, seu corpo é um livro aberto aos meus sentidos
já não guarda as surpresas de antes para mim...
(Não importa se há livros muita vez relidos
importa... é que afinal, todos eles têm fim... )

Essa, a quem julguei ter tanta afeição sincera
e hoje não enche mais a minha solidão,
simboliza a mulher que sempre a gente espera...
mas que chega, e se vai... como todas vão...



quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Caricatura. Como ainda nos vêem!

Enviaram-me este vídeo (embora a língua base - legendas - seja o francês), entende-se a caricatura, mesmo sem som.

Ainda somos vistos como se não nos tivessemos descolado do início do século passado, com uma indolência generalizada como se fossemos todos, ou sequer a maioria, geneticamente indolentes, culturalmente subjugados aos princípios católicos de há cem anos, etc.

Tudo isto a propósito de um tema interessante e actual.

Fiquei sem saber se havia de rir, ou de chorar, com a forma como nos caricaturam.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Tentação


Esse profundo olhar que me toca,
Pelo meu profundo olhar é tocado.
E os teus lábios,
- - - - - - - - - - (A minha boca,
Com esse perfume molhado),
Por nada deste mundo se troca.

Teus seios, cor de perdição,
Meus,
- - - - - (de tamanho perfeito),
Tiram-me o tempo em adição,
Deixam-me sempre sem jeito.

Pois o sabor da tua boca,
Desse corpo em ebulição,
(Qual terramoto em meu peito
De prazer e tentação)
Deixam-me sempre desfeito.

Esse perfume que toca...

Esse olhar que é sedução...

O corpo que é tocado...

Os lábios na minha boca...

Olhar profundo molhado...

Ai que tentação!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Uma morte a cada dez segundos!

PITIGRILI mora, há já muito tempo, num dos apartamentos dos meus "favoritos", que fica ali acima, numa das barras deste meu portátil.

Hoje, fui revisitá-lo e vi este vídeo, novo para mim. Impressionou-me de tal forma, que fui copiá-lo. "Roubei-lhe" o título, até porque dificilmente se arranjaria outro.

O tema deste belo trabalho de imagem é sobre um inimigo que usa uma arma de destruição massiva.

Pelo trabalho e pela mensagem que contém, aqui fica o vídeo, do YouTube, ou AQUI, o original.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Ùùuuuúúúúúúúúhhhhúuuuuuu!!

Partiiiddaaaaa!
Eu no padrão de Sagres.
S U U R P R E E E S A A A !


Deixando a Ponta de Sagres, onde me pendurei ao lado do padrão, marchei rumo a uma mancha de edificações que se via para o lado direito da costa.


Estava na hora de meter algum combustível no... "je", que a hora de almoço estava quase a apagar-se. E na Ponta de Sagres não havia oferta nenhuma de refeições ou coisa parecida.

Fui até Baleeira, onde me encostei à mesa de um restaurante, a fazer festas a um peixinho grelhado, lá bem no alto da povoação.

Depois de dar umas voltinhas por ali, Lagos foi a próxima paragem. Há muitos anos que não a visitava. A cidade mantém a sua beleza, com alguns melhoramentos e, fora do perímetro antigo, alguns estragamentos. Se já sou pouco condescendente com a selva de betão em cima da costa algarvia, numa cidade que se demarca pelos traços típicos e históricos, não gosto, de todo, de ver brotar cimento como cogumelos sob a forma de caixotes. Fiquei-me pela parte histórica.

Por agora, vou deixar a máquina da fumarola e levantar voo.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Mais uma pazada de carvão para a fornalha

Regressei há dois dias a este cantinho central da Europa.
Ainda não sei o que é ver o sol.
Ai que falta me faz o brilho solar!
Bem. Ver, ver, não é bem assim, que ele já fez questão de dizer que anda lá por cima, bem lá por cima das nuvens, querendo furá-las. Lá mais para a Primavera.
Para quem veio daquela ponta da Europa que deu caminhos ao mundo, sobre o mar... que diferença.
Passei uns dias no Algarve, no período da passagem de ano.
Ah, que belo sol!
Fiquem com um bocadito de raios solares, bruxelenses invejosa/os!
Eu incluído, pois claro.
Eis umas fotos da "Ponta de Sagres":

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Pouca-terra … , pouca-terra .. , pouca-terra …

Avisto, até ao infinito que me fixa do horizonte, o brilho dos trilhos calcorreados há muito por esta máquina que de novo se prepara para os pisar.

Já ouço os viajantes a protestarem o tanto tempo que aguardaram na paragem, ou do tempo que perderam a vir até à estação, sem encontrar o comboio pronto para o arranque.

Foi tudo uma questão de dar tempo para carregar as baterias para esta longa viagem até ao fim do ano de 2008.

A caldeira foi atestada com líquidos diversos - da água ao champanhe - e já começo a deitar a lenha e o carvão na fornalha e a acendê-lo.

Dentro em pouco, poderão ver sair o primeiro fumo deste ano.

O maquinista está cheio de boas intenções. Veremos o que elas vão dar.

Promete deixar umas palavras, se não todos os dias, pelo menos com alguma assiduidade semanal.

Aí vai a primeira apitadela e o chiar do arranque.

Até já.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Natal de 2007

Como sempre, nesta vida linear que levamos, a roda do tempo mostra-nos que, ao fim de 12 meses, se fecha um ciclo e outro se abre.

Mais uma vez, é Natal.

Mais uma vez, vem aí o passar do ano, finda 2007 e 2008 cairá nas nossas cabeças.

Mais uma vez, vamos mudar de calendário.

Sabendo que é um período já totalmente absorvido pelo comércio, como forma de nos absorver algumas poupanças, até mesmo aquelas que muitos não conseguiram fazer, ainda mantenho algum do espírito de magia que me invadia quando estava na idade de acreditar no menino Jesus, no Pai Natal, na descida de prendas pela chaminé, etc, e naquele espírito que se espalha e faz com que as pessoas riam e sorriam frente a situações que as faziam barafustar meia dúzia de dias antes, que retira azias com facilidade.

Consomem-se quantidades industriais de brinquedos prontos a usar e deitar fora.

Paciência, são os ventos do tempo.

Deixo-vos um Pai Natal com um trenó puxado por rápidas renas, e carregado de votos de umas Boas Festas para todos os visitantes e comentadores deste blogue.

Que ele chegue a todos os cantos do mundo que têm cá chegado.

Até 2008.

The clock is ticking

AQUI se falou do "Tratado Europeu de Lisboa" que hoje, com as assinaturas e pompa e circunstância, teve a concordância dos Chefes de Estado e de Governo dos Estados membros, entrou numa nova etapa.

Passou a "projecto", definitivamente.

O relógio só hoje, realmente, começa a contar os segundos, em contagem decrescente.

Dentro de pouco tempo (considerando o relógio dos povos e nações, e não os de cada um dos homens que os compõem) veremos como foi liderado este processo, não apenas pelo Estado que exerceu a presidência no período desta cerimónia de hoje, mas por todos, pois esta é uma tarefa que a todos os políticos a exercer o poder deve ser assacada.

Veremos se no fim haverá novamente espectáculo pirotécnico e borlas em museus e festarola, ou se vamos assisitir ao esvaziar de um balão de ar quente, mal aquecido.

SENSAÇÃO

Hoje, soube-me a pouco!...

Não o sexo,
Que esse é louco,
E, por vezes, tão complexo,
Que o pouco,
Com algum jeito,
Passa a ser muito,
Quando em cada segundinho,
Se suga tudo a preceito.
Derme, epiderme e suor - OLHARES - - -

Mas o tempo.
Que ligado à sensação,
De prazer em catadupa,
Me deixou embriagado,
À procura da noção,
De uma hora tão abrupta,
Que eu fiquei esmagado,
Do pouco,
Que me soube esse complexo
Momento de atenção.

Não do tempo,
Não do sexo.
Mas do momento
Que passei e lá estive,
Colado a todas as células,
Trocando de entendimento,
Os fluidos do nosso amor,
Em troca...
Do que se vive.

Não foi o momento,
Não foi o sexo,
Não foi o tempo,
Que é complexo,
E voa como as libélulas,
Tal como o nosso amor,
Perpassa todas as células,
E se transforma em calor.

Mas a sensação,
De toda aquela sensação,
Que deixa qualquer Ser louco,
Por ser tanto em tão pouco.

E, no entanto...

Pareceu-me...
(Talvez sem qualquer razão)
Que tu estavas deserta,
Oásis na primavera,
Que sacia toda a sede,
No meio do areal.
E se transforma em quimera
No horizonte que vejo,
Ondulando todo o corpo,
Sem nunca poder parar,
De arredondada galera,
Que me aumenta o desejo,
Sem contudo o saciar.

Daí esta sensação,
De um sentimento louco,
Que me sabe a tão pouco.
Sem que me possa queixar!

Dás atenção ?
Talvez!!
Mas quero mais, muito mais,
Para que a minha vida tenha nexo,
Nem que grite até ser rouco,
Me desfaleça no sexo,
Hei-de ter mais, muito mais,
No tempo,
Em cada momento,
De sentimento complexo,
De troca de fluidos de amor.
Para que esta sensação,
Deixe de saber a pouco.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Cimeira União Europeia-África em Lisboa


Tervuren - BE
Hoje foi dia de encerramento da Cimeira Europa-África.

Sendo um evento da União Europeia (será que já e ainda existe?), Lisboa e Portugal ficam-lhe ligados.

Ainda é cedo para se saber a totalidade dos seus resultados mas, do que transbordou, tudo indica que terá um balanço positivo.

Parece que começam a soprar os ventos de fim às desculpas pelo estado em que se encontram muitos dos países africanos por terem sido colonizados, por tudo quanto aconteceu em quinhentos anos e, também, pelo que continua a acontecer naquele continente, passado que é "meio século" sobre os processos de descolonização.

Como se a história mundial deixasse muito espaço a povos que não tenham sofrido, de uma ou outra forma, por mais ou menos tempo, invasões, saques, colonizações, aculturações, … e isso tivesse que servir de desculpa para os seus governantes nada fazerem pelos seus países. Ou até como se isso não tivesse sido o caldo que moldou e tem moldado o mundo como o conhecemos, para o bem e para o mal, pois claro. Humanos !

Esperemos que o complexo de inferioridade dos países colonizadores também sejam apanhados por esses ventos de mudança!

Afinal, há povos e países ditos colonizadores com recursos naturais bem mais escassos que os dos ditos colonizados e que continuam, à conta desses complexos, a portarem-se como uma entidade de misericórdia, quando é certo que esses recursos naturais são explorados, por técnicas ultrapassadas, mas cada vez mais por meios de última geração, e permitem a "meia dúzia de colonizados" ligados ao poder viverem e terem riquezas incalculáveis espalhadas pelos quatro cantos do mundo, incluindo no seu próprio canto, deixando os seus no maior índice de sub-desenvolvimento que é possível imaginar.

Sabemos que há efeitos que os povos não conseguem apagar em pouco tempo. Muitos deles hão-de perdurar por muito mais tempo. Muitos outros, seria bom que se mantivessem e se melhorassem no futuro.

Será que não é chegado o momento de Portugal, do Estado Português, fazer alguma coisa quanto àqueles que por esses terrritórios, onde defenderam a bandeira portuguesa, ora trabalhando no sector privado, ora no público, na vida civil ou dando o "corpo fardado ao manifesto", ao longo de gerações, ajudaram ou foram mesmo a principal mola impulsionadora do desenvolvimento sócio-económico a que os mesmos chegaram ?

Não falo daqueles que apenas lá investiram sem lá colocarem um pé, controlando à distância, do continente europeu, os lucros que retiravam disso, mas dos outros.

Que é feito dos processos de indemnização que foram accionados contra o Estado português por estes portugueses que tudo perderam, incluino, muitas deles, vidas de familiares?

Não será tempo de o Estado português se entender com os seus cidadãos, independentemente do entendimento que tiver com os Estados dos seus ex-territórios ?

É tempo de se começar a fazer justiça aos cidadãos que tudo perderam por um processo mal conduzido. E muitas portas já foram deixadas abertas ao Estado para que se chegue a bom termo.

Esperemos que os ventos de mudança cheguem aos Estados colonizadores e colonizados.

Mas, como foi afirmado nesta cimeira, mudar a página não significará esquecer.

Para todos os lados, espera-se.